segunda-feira, 11 de novembro de 2013

AGRURAS DA FILOSOFIA

Terminantemente, a filosofia não é o sofá mais confortável. Pelo contrário, adquirir o bilhete do mundo filosófico, ou melhor, imigrar do cotidiano tacanho, vulgar, chandala como diria Nietzsche, é assumir consequências muitas vezes pesadas para o caos de valores ocidental. Hannah Arendt sabia muito bem disso. E outros também o provaram.

Isso não é novidade. Que o filósofo seja visto como alguém sempre olhando para o céu para compreender a origem das coisas da vida, ou falando com arrogância com os comuns, é corriqueiro e está entranhado nas veias do homem moderno. Alguns agem realmente desta forma. A maioria não sabe dos desafios e das dores de cabeça pelas quais se submete um pensador da filosofia. Ele não quer trazer a felicidade ao mundo porque não pensa sobre autoajuda. Ele não quer melhorar o sistema porque a política corta as asas da filosofia. Ele não quer seguir métodos de investigação e de comprovação porque ele não é um cientista. Por fim, ele não se submete a avaliações e pareceres do cidadão, da massa social, porque filosofia não é debate. Filosofia é, longe disso tudo, o livre pensar do conhecimento.

Também a filosofia não busca ser pura. Muito menos o suprassumo humano. Mas ela é a mais fascinante produção humana! Antes de qualquer coisa, busca a si mesma longe de qualquer desonestidade mascarada – progresso, política, humanidades, sucesso, realização pessoal, enfim... – o que os ideais ascéticos elegeram como a tarefa do homem!


A filosofia lúcida (não sei se há alguma que não seja lúcida, mas sim há as filosofias corrompidas) é um papel para poucos que, se pudesse, aí sim, demonstrar a comparação, está aos moldes da penitencia. E esses poucos devem suportar todos os reveses a que estão sujeitos. Acima de tudo, é audácia, coragem de retorno ao seio da vida, mas jamais embrutecimento: reflexão e afirmação buscando as auroras.

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