terça-feira, 15 de outubro de 2013

15 DE OUTUBRO: UMA DATA FILOSÓFICA

15 de outubro. Não poderia deixar passar esta data. Neste dia, em 1844, na cidade de Röcken, Alemanha, nascia Friedrich Nietzsche, o divisor de águas daquilo que, desde Sócrates, chamou-se filosofia. Tido por muitos como um maluco e um precursor do nazismo, Nietzsche não pode ser reduzido a estas definições banais. Antes de tudo, foi um pensador que apontou (e seguiu) o rumo da filosofia (nos termos dele) como afirmação da vida como ela é: incerta, variável, caótica e seletiva. Segundo ele, Darwin falhou ao encerrar a sua teoria da evolução quando faltou com a coragem de afirmar a morte de Deus, e que nem sempre são os fortes que sobrevivem. E aí vem a chave para compreender a filosofia nietzscheana. Os fracos, que são maioria, se unem e invertem a definição de nobreza, assim subjugando os fortes, os nobres, no campo da moral dos valores.
Nietzsche foi uma pessoa que jamais fez consolo da filosofia. Segundo registros, sofria de sífilis, o que lhe causava intensas dores de cabeça, chegando ao ponto de lhe tirar a visão, o que, possivelmente, acometeu-lhe o colapso mental de janeiro de 1889 em Turim. Novos registros apontam para um tumor no cérebro como a causa do ocorrido. E um dos grande livros deste filósofo foi escrito exatamente neste período. Aurora, livro ditado por Nietzsche para que seu amigo Paul Reé o escrevesse, vislumbra e indica novas auroras.
Nietzsche nunca foi tão atual. Parece que as filosofias que se julgam puras, que se pretendem desinfetantes da ignorancia, pecam, e aí se esgotam, no ceticismo, no vazio da lógica e na negação do ateísmo. "Eu não sou um homem! Sou uma dinamite!" Em outro momento, disse que, diante de um filósofo, tudo corre perigo!
Para encerrar, deixo, entre tantas citações que poderiam ser utilizadas, o aforismo 575, de Aurora, pois Nietzsche era mestre também na estética da arte. Depois alguns links do You Tube de filósofos brasileiros que podem falar de Nietzsche muito melhor do que eu. Gracias!

"Nós, aeronautas do espírito

Todas essas ousadas aves que voam para espaços distantes, sempre mais distantes - virá certamente um momento em que não poderão ir mais longe e vão pousar sobre um mastro ou sobre um árido recife - bem felizes ainda por encontrarem esse miserável refúgio! Mas quem teria o direito de concluir disso que diante delas não se abre uma imensa via livre e sem fim e que voam para tão longe quanto é possível voar? Entretanto, todos os nossos grandes iniciadores e todos os nossos precursores acabaram por parar e o gesto da fadiga que pára não é das atitudes mais nobres e mais graciosas: isso vai acontecer tanto para mim como para ti! Mas que me importa e que te importa! 'Outras aves voarão mais longe'! Este pensamento, essa fé que nos anima, toma seu impulso, rivaliza com elas, voa sempre mais longe, mais alto, se lança diretamente para o ar, acima de nossas cabeças e da impotencia de nossas cabeças e do alto do céu ve na imensidão do espaço, agrupamentos de aves bem mais poderosas que nós e que se lançaram na direção para qual nos lançamos, onde tudo ainda é só mar, mar, e sempre mar! Para onde então queremos ir? Queremos 'ultrapassar' o mar? Para onde nos arrasta essa poderosa paixão que para nós conta mais que qualquer outra paixão? Por que esse voo perdido nessa direção, para o ponto onde até agora todos os sóis 'declinaram' e se 'extinguiram'? Dir-se-á talvez um dia que nós também, dirigindo-nos sempre 'para o oeste, esperávamos atingir uma Índia desconhecida', mas que era nosso destino encalhar diante do infinito? Ou então, meus irmãos, ou?"